França financia expedição científica sobre a degradação dos mangais na Lagoa kussanga, adjacente ao Rio Chiloango, na província de Cabinda, em Angola.

França financia expedição científica sobre a degradação dos mangais na Lagoa kussanga, adjacente ao Rio Chiloango, na província de Cabinda, em Angola.

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Com o objectivo de congregar esforços entre as autoridades governamentais, sociedade civil e o corpo diplomático representado em Angola para a protecção da biodiversidade nas mais variadas regiões do país, a Embaixada da França em Angola, está a financiar a expedição científica sobre o estado de degradação dos mangais na lagoa kussanga, adjacente ao rio chiloango, na província de cabinda.

Árvores de mangues degradadas na lagoa em estudo

A expedição está a ser implementada pela associação Otchiva, um projecto que se dedica na protecção e restauração das zonas húmidas na orla costeira de Angola, com realce para os mangais, cujo o seu trabalho já tem reconhicimento internacional da União africana e da Organização das Nações Unidas (ONU).

Equipa técnica Otchiva a analisar a degradação dos mangais da lagoa kussanga

A expedição científica nos mangais da lagoa kussanga, surge na sequência de sucessivos apelos lançados pelos pescadores desta região que onde se registam níveis elevados de degradação dos mangais, provocando uma escassez acentuada de várias espécies de peixes, crustáceos e moluscos, assim como a morte de aves migratórias e a emigração forçada de pescadores que procuram outros locais para continuar a execercer a sua actividade de pesca.

Pescadores locais dos mangais da lagoa Kussanga

Participam da referida expedição nos mangais várias áreas de saber, como biólogos, geólogos, químicos, engenheiros cívis, sanitaristas, cartógrafos, ambientalistas, especialista em impactes ambientais e restauradores de ecossistemas de mangais.

Fernanda Renée, líder da Otchiva na área de incedência das florestas de mangais degradados

De realçar, que para além dos técnicos especialistas Otchiva, participam também da expedição toda a comunidade local de pescadores que dependem directamente destes ecossistemas de mangais como a sua única fonte de rendimento, técnicos locais da secretária províncial do Ambiente,  bem como associações locais de defesa do ambiente, como a JEA.

Análise da água a ser feita no lago, pela Yonara Freitas da Química Verde Lab

A expedição resultará na elaboração de um relatório técnico que servirá de guia para as acções que o Governo angolano deverá desenvolver em tempo útil para a resolução dos problemas que forem detectados na referida expedição, com o objectivo de salvar o mangal local da lagoa, ecossistema berçario da vida marinha, habitat de muitas espécies, incluindo aves migratórias ameaçadas de extinção.

Única espécie de peixe explorada pelos pescadores na lagoa.

Para além dos mangais da lagoa da Kussanga na foz do rio chiloango, a equipa técnica Otchiva, prevê fazer o levantamento do estado dos mangais na foz do rio Lucola, nos mangais da praia Yabi e em Luvassa.

A expedição está a ser igualmente patrocinada pela empresa distribuidora de combustíveis, Pumangol, tem o apoio institucional das Forças Armadas Angolanas e do Governo da província de Cabinda e conta  com a colaboração do Instituto Nacional da Biodiversidade e Áreas de Conservação, instituição afecto ao Ministério da Cultura, Turismo e Ambiente.

Fernanda Renée, a frente das espécies de aves locais (cegonha) que habitam nos mangais da lagoa.

DISTRIBUIÇÃO DOS MANGAIS EM ANGOLA

Em Angola, os mangais representam cerca de 0,5% da fitocenose total (Azevedo, 1970), com aproximadamente 1.250 km² (Booth, et al., 1994), localizando-se a maior concentração no estuário do Rio Congo a norte de Angola e no estuário do Rio Cuanza.

Fonte: Otchiva

Mangais em Angola

Florestas de mangal estão bem desenvolvidas em Cabinda, nas reentrâncias profundas na Laguna de Chicamba e no estuário do rio Chiloango. Ocorrem também na pequena baía por trás da Ponta Malembo e perto da cidade de Cabinda. A maior extensão de mangais em Angola encontra-se na margem Sul do estuário do rio Zaire. É uma faixa contínua de mangais com um comprimento de 35 Km e uma largura de 13Km cobrindo cerca de 27.300 hectares. Nos estuários dos rios Lucunga, M’Bridge ,Sembo, Loge, Uêzo , Onzo , Lifune, Dande e Bengo/Zenze).

Os mangais também ocorrem ao longo do litoral Baía de Mussulo que é protegida da influência do mar aberto pela Restinga das Palmeirinhas. A Sul da baía de Mussulo mangais ocorrem somente nas fozes dos rios Cuanza, Longa, Cuvo e Balombo. A formação de mangais na foz do rio Catumbela, entre Lobito e Benguela, marca o limite meridional da sua ocorrência na costa do Oeste Africano.

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