Caracterização dos Mangais dos Estuários do Dande e Lifune na Província do Bengo em Angola

Caracterização dos Mangais dos Estuários do Dande e Lifune na Província do Bengo em Angola

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Introdução

Existem vários estudos sobre a vegetação angolana, dentre eles salientamos a carta Fitogeográfica de Angola (Barbosa, 1970), descreve 32 unidades de vegetação, estas unidades podem ser agrupadas nas seguintes categorias: florestas densas sempervirente; savanas de capim alto; savana de xerófitos; florestas abertas do tipo miombo (que ocupam 50% do país), prados; estepes; vegetação ribeirinha; vegetação semidesertica e os ecossistemas de mangais

Os mangais são considerados como ecossistemas costeriros de transição entre os ambientes terrestre e marinho, caracteristícos de regiões tropicais e subtropicais, sujeito ao regime de marés. É costituida de espécies lenhosa típicas adaptadas a flutuação da salinidade e caracterizadas por colonizarem sedimentos predominantemente lodosos, com baixo teor de oxigenio. “Ocorre em zonas costeiras e apresenta condições propícias para alimentação, proteção e reprodução de muitas espécies de animais, considerando um importante transformador de nutrientes em materia orgânica, gerando bens e serviços ”( Shaeffer-Novelli, 1997).

A vegetação do mangal pode ser dividida em dois grupos. O primeiro grupo é o das espécies de mangais exclusivas que crescem só no meio ambiente do mangal sem estender-se para a comunidade da vegetação terrestre. São adaptadas morfologicamente, fisiologicamente, reprodutivamente à acondições salinas, inundações e solos pobres em oxigénio (anaeróbias). O segundo grupo inclui outras espécies associadas aos habitats do mangal que não suportam as condições específicas deste ecossistema. (FAO Regional Office for Asia and the Pacific, 2007).

Embora os mangais possuem uma adaptação fisiologica para serem bem sucedidos em condições de altas temperaturas, substratos anaeróbicos e variações de salinidade, existem certas situações, tanto naturais como induzidas pelo homem, para as quais são extremamente vulneráveis (Odum & Johannes, 1975). De acordo com Schaeffer-Novelli (1989), estes ecossistemas estão sob forte influência dos processos continentais, tais como a drenagem das águas e os efeitos das atividades antrópicas, devido a sua condição de ecótono.

Distribuição dos Mangais em Angola

Angola localiza-se na costa Atlantica de Africa com uma extensão da linha da costa de 1560 Km 2 , apresentando uma distribuição fragmentada desta vegetação, sendo que das 7 províncias costeiras 6 apresentam este tipo de vegetação, o que corresponde a aproximadamente 1250 km2. As maiores extensões ocorrem no Norte do País (Huntley 1974), Cabinda na foz do Rio Chiluango e Lubinda (5°5’S) e na foz e curso terminal do Rio Zaire (6°10’S) em numerosas manchas desde o Soyo até cerca de 60 km para montante, próximo da Pedra do Feitiço. Mais para sul, podemos encontrar ainda algumas importantes comunidades de mangal, nomeadamente nos estuários dos rios M´Bridge, Loge, Dande e Cuanza constituindo este último o local mais meridional desta formação com representção expressiva (Costa et al., 2006). As áreas de mangal diminuem progressivamente em tamanho, número de espécies representadas e em porte dos espécimes desde os estuários dos rios Longa e Cuvo ou Queve até à região do Lobito

CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO

3.1- Localização Geográfica

A área de estudo, comuna da Barra do Dande, concretamente os rios Dande e Lifune localizase a Norte de Luanda, na província do Bengo, município do Dande, a 30 Km por estrada asfaltada no sentido Luanda-Ambriz, na faixa litoral Noroeste de Angola, entre os paralelos 8º 28´ e 8º 46´ de latitude Sul e pelos meredianos 13º 21´ e 13º 30´ de longitude Este, clima tropical quente e húmido ocupando uma área de 732 Km2 ( Diniz 1973). A oeste é limitado pelo Oceano Atlântico, a Norte pela comuna de Tabi, a leste pelas comunas de Quicabo, Caxito e a Sul pelo município de Cacuaco, província de Luanda (Anónimo, 2010) , Figura 5.

Representação Espacial dos Mangais do Lifune
Representação Espacial dos Mangais do Lifune
Representação Espacial dos Mangais do estuário do Dande
Representação Espacial dos Mangais do estuário do Dande

Espécie de Mangais Associado a Área de Estudo

Três gêneros principais de árvores constituem as florestas do ecossistema de mangal em Angola: Rhizophora, Avicennia e Laguncularia. Das quais, podemos encontrar na área de estudo dois gêneros Rhizophora e Avicennia. Dentre as quais o gênero Rhizophora apresenta duas espécies Rhizophora Racemosa e Rhizophora Harrisonii, enquanto que o gênero Avicennia apresenta uma única espécie Avincennia germinans.

A comunidade de mangais dos estuários do Dande e Lifune, são constituido maioritáriamente por Rhizophora racemosa devido as caracteristicas da zona (estuários) e esta espécies não toleram niveis de salinidades elevadas.

A espécie Rhizophora Harissonii, foi observada apenas na lagoa do estuário do Lifune. Enquanto que a espécie Avicennia germinas foi observada apenas na margens do estuário do Dande, pouco representada, espécie tolerante a salinidade intermédia e não suporta inundações constantes.

Todas as espécies acima citado, encontran-se descrito no livro sobre plantas ameaçadas de Angola, na categoria de espécie em perigo (EN-A1d).

Ameaças

Os Mangais dos Estuários do Dande e Lifune (Bengo), estão sujeitos a degradação e desflorestação devido a expansão urbana das comunidades dos pescadores, corte para combustivél lenhoso, construção de habitações e artefactos da pescas (tarimba para secagem dos peixes), transformação para agricultura, poluição por residuos domesticos e expansão de infraestruturas turisticas.

Ilustração sobre a Degradação dos Mangais do Dande e Lifune (Risíduo domesticos e corte para combustivél lenhoso e transformação para campos agricolas)
Ilustração sobre a Degradação dos Mangais do Dande e Lifune (Risíduo domesticos e corte para combustivél lenhoso e transformação para campos agricolas)
Ilustração sobre a Degradação dos Mangais do Dande e Lifune (Risíduo domesticos e corte para combustivél lenhoso e transformação para campos agricolas)
Ilustração sobre a Degradação dos Mangais do Dande e Lifune (Risíduo domesticos e corte para combustivél lenhoso e transformação para campos agricolas)

Desafios na Conservação dos mangais

Consideramos necessário aprimorar o sistema de governança ambiental no ecossistema de mangal visando o desenvolvimento sustentável. Para isso, é necessário estabelecer políticas claras, específicas, proativas e antecipatórias, já que a recuperação do ecossistema ou seus serviços é normalmente muito onerosa e com resultados a longo prazo. Assim, parece ser mais interessante prevenir a degradação deste ecossistema.

Por fim, devem ser coordenados esforços de todos os setores governamentais, empresariais e institucionais necessários para uma melhor proteção e conservação do ambiente. Para tal é necessário:

  1. Elaborar uma Estratégia de gestão e Plano de Ação para a Conservação dos Mangais;
  2. Reforçar a cooperação institucional para fiscalização e sensibilização da sociedade;
  3. Apresentação e Divulgação aos Governos Provinciais e Administrações locais sobre a importâncias dos mangais
  4. Criar Parcerias com Instituições de Investigação Científicas, ONG´s e empresas, para desenvolvimento de projectos ligados a conservação dos mangais

Anexos

Avicennia germins
Avicennia germins
Rhizophora racemosa
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