Bélgica financia estudos sobre as causas da degradação dos mangais do Nzeto, no Zaíre

Bélgica financia estudos sobre as causas da degradação dos mangais do Nzeto, no Zaíre

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Zaire – 5. 194.800 kz, aproximadamente é o valor disponibilizado pela embaixada da Bélgica em Angola à Associação Otchiva para o estudo das causas da degradação dos mangais na foz do rio Mbridge, no município do Nzeto, província do Zaire.

A expedição para o estudo do levantamento das causas da degradação dos mangais no Nzeto, lançado neta quinta-feira, será desenvolvida por um grupo de 10 especialistas ligados à organização nacional de protecção das zonas húmidas, denominada “ Otchiva”,e  terá a duração de 7 dias, ao fim dos quais será elaborado um relatório com os resultados finais do estudo.

O relatório será remetido ao Executivo angolano e à embaixada da Bélgica para a elaboração de um programa conjunto que visa a restauração dos mangais neste município.

A informação foi prestada, nesta quinta-feira, no Nzeto, pelo embaixador da Bélgica em Angola, Joséf Smets, que em companhia do governador, Pedro Makita Armando Júlia, constatou o grau de devastação deste ecossistema que cobre uma área pantanosa total de 350 hectares na província. O Embaixador destacou, como principal objectivo, congregar esforços entre as autoridades governamentais, sociedade civil e o corpo diplomático representado em Angola para a protecção dos mangais e a biodiversidade nas mais variadas regiões costeiras do país.

Embaixador da Bélgica em Angola, Josef Smets, a plantar mangais

Por sua vez, a presidente da organização “Otchiva”, Fernanda Renée, anteviu, como causas preliminares da degradação dos mangais neste local, a obstrução dos cinco canais de evacuação das águas doce e salgada da zona pantanosa para o oceano atlântico.A especialista em questões ambientais alertou que a devastação dos mangais pode causar a destruição da ponte sobre o rio Mbridge, erguida nas proximidades da zona de influência de mangais, devido a existência de calemas de grande dimensão nesta zona costeira, pois são os mangais que têm a função de amortecer a acção erosiva das ondas, evitando assim erosões costeiras e inundações.
Fernanda Renée, Coordenadora Nacional da Otchiva


Formada, em engenharia de Pesquisa de Petróleos, com um prémio internacional em engenharia para o desenvolvimento sustentável em sua posse, Fernanda Renée, prosseguiu informando, que o desaparecimento destes ecossistemas de mangais pode culminar com o desaparecimento de várias espécies aquáticas que dependem deste ecossistemas marinhos para a continuidade da sua existência e sobrevivência. “Os mangais constituem o berço da vida marinha. São várias as comunidades que têm os mangais como suas zonas de subsistência na exploração de peixe, crustáceos, moluscos, etc. Estes ecossistemas são os únicos ecossistemas naturais na protecção de toda a orla costeira contra as calemas e até tsunamis”, enfatizou, Fernanda Renée.

Zona de mangal degradada em estudo

O governador provincial, Pedro Makita Armando Júlia, considerou o projecto uma grande contribuição na melhoria da vida sustentável do ecossistema neste local e na circunscrição.


Governador do Zaíre, Pedro Makita Julua, a plantar mangais

Na ocasião, procedeu-se à plantação de algumas sementes das árvores de mangues e a entrega de 1 motociclo de três rodas ao Cacau Martins, considerado um dos maiores protectores dos mangais no Município do Nzeto, que por iniciativa própria envolveu-se na conservação e restauração destes ecossistemas.

 DISTRIBUIÇÃO DOS MANGAIS NO ZAÍRE, ANGOLA

A maior extensão de mangais em Angola encontra-se na margem Sul do estuário do rio Zaire. É uma faixa contínua de mangais com um comprimento de 35 Km e uma largura de 13Km cobrindo cerca de 27.300 hectares, isto é, nos estuários dos rios Lucunga, M’Bridge, Sembo, Loge, Uêzo , Onzo , Lifune, Dande e Bengo/Zenze).  E a zona costeira do Zaire compreende 250 quilómetros que englobam os municípios do Nzeto, Tomboco e Soyo, onde se pode encontrar uma vasta vegetação de mangais.

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